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Automação

Sensores de temperatura: como integrar ao sistema de controle

23 de abril de 2023 · 5 min de leitura
Passagem industrial entre equipamentos, com piso demarcado

Integrar um sensor de temperatura ao sistema de controle envolve cinco decisões: escolher o tipo certo (termopar, termistor ou RTD) para a faixa e a precisão exigidas, posicionar o sensor onde a medição representa o processo, instalar e cabear corretamente, calibrar antes da partida e configurar o controlador ou CLP para ler o sinal e agir sobre ele. Este artigo apresenta os tipos de sensores, as boas práticas de integração e as principais marcas.

Tipos de sensores de temperatura

Há vários tipos de sensores, e a escolha depende das necessidades do sistema. Os três mais comuns:

Cada tipo tem vantagens e limitações: o termopar vence em faixa e robustez, o RTD em precisão e estabilidade, o termistor em custo e sensibilidade para faixas curtas.

Como integrar sensores de temperatura ao sistema de controle

A integração exige planejamento. As boas práticas:

  1. Determine a posição do sensor. O ponto de medição deve representar a temperatura que se quer controlar: dentro do fluido, no centro da carga ou próximo ao produto, e não junto à resistência ou à parede fria. Use poços termométricos em tubulações e tanques.
  2. Escolha o tipo certo. Defina faixa, precisão, tempo de resposta e ambiente (vibração, umidade, agentes químicos) antes de escolher entre termopar, termistor e RTD.
  3. Calibre o sensor. Antes da partida, verifique a leitura contra um padrão rastreável em pelo menos dois pontos da faixa de uso e registre o resultado.
  4. Instale corretamente. Siga as instruções do fabricante quanto à profundidade de imersão, ao aperto e à proteção mecânica. Termopares e RTDs mal inseridos medem a temperatura errada, mesmo calibrados.
  5. Conecte ao sistema de controle. Use cabo de compensação do tipo correto para termopares, ligação a três ou quatro fios para RTDs e cabos blindados, aterrados em um único ponto, longe de cabos de potência. Verifique se as conexões estão firmes.
  6. Configure o sistema. Ajuste o tipo de sensor na entrada do controlador ou do CLP, a unidade, os filtros, os alarmes e a lógica de controle que agirá sobre a leitura.
  7. Monitore regularmente. Acompanhe as leituras, compare com um instrumento de referência periodicamente e recalibre nos intervalos definidos, para manter o sistema eficiente.

Sinal e condicionamento

O sinal de um termopar é de poucos milivolts e o de um RTD é uma resistência; nenhum dos dois viaja bem por longas distâncias. Por isso é comum usar transmissores de temperatura, instalados no cabeçote do sensor ou em trilho DIN, que convertem o sinal em 4-20 mA, HART ou redes industriais (Profibus, Profinet, IO-Link). O transmissor isola o sinal, compensa a junta fria do termopar, lineariza a curva e facilita a integração com CLPs e supervisórios.

Termografia de mão segurando objeto, em cores quentes

Erros comuns na integração

Os problemas mais frequentes em campo são cabo de compensação de tipo errado ou invertido em termopares, que gera leituras deslocadas; RTD ligado a dois fios em cabos longos, que soma a resistência do cabo à medição; sensor instalado com pouca imersão, medindo a temperatura da parede e não do fluido; e configuração do tipo de sensor errada na entrada do controlador. Uma verificação simples com um instrumento de referência no ponto de medição, logo após a instalação, evita meses de controle sobre uma temperatura que não é a real.

Principais marcas de sensores de temperatura

Sensores industriais de qualidade garantem precisão e confiabilidade. Entre as marcas reconhecidas:

  1. Omega Engineering: ampla linha de termopares, RTDs e acessórios para aplicações industriais e de laboratório.
  2. Endress+Hauser: sensores e transmissores de temperatura para processos, com foco em confiabilidade e integração digital.
  3. Siemens: sensores e transmissores integrados ao portfólio de automação da marca.
  4. Honeywell: sensores de temperatura, incluindo infravermelho, termopares e RTDs, para controle de processos.
  5. Emerson (Rosemount): transmissores e sensores para processos críticos em óleo e gás, química e energia.

No Brasil, marcas nacionais também oferecem termopares e RTDs de boa qualidade com entrega rápida. Ao escolher, considere precisão, confiabilidade, durabilidade, especificações técnicas e compatibilidade com a aplicação.

Conclusão

Integrar sensores de temperatura ao sistema de controle pode parecer complexo, mas seguindo as boas práticas acima o sistema opera de forma eficiente e confiável. Escolha o tipo certo, posicione e instale corretamente, calibre, cabeie com cuidado e configure o controlador para agir sobre as leituras. Monitore as medições e recalibre periodicamente para manter o desempenho ao longo do tempo.

Dúvidas frequentes

Termopar ou Pt100: qual escolher?

Pt100 para precisão e estabilidade até cerca de 600 °C; termopar para temperaturas mais altas, resposta rápida ou ambientes com vibração intensa.

Por que o Pt100 usa três fios?

O terceiro fio permite ao instrumento compensar a resistência do cabo, que somada à do sensor causaria erro de leitura. A ligação a quatro fios elimina esse erro por completo.

Com que frequência calibrar um sensor de temperatura?

Depende da criticidade: anualmente é comum na indústria em geral; a cada seis meses ou menos em processos regulados, como alimentos e medicamentos.

Resumo